quinta-feira, 20 de agosto de 2009





Ela foi chegando de mansinho e deitou na rede branca, que ficava presa nas pilastras da varanda.

As pernas quase magras empurravam o chão para mover os ventos nos cabelos quando a rede fazia o movimento antagônico da ida.

O vento era morno, a luz do sol entrava pelas árvores, terna e quente, as borboletas iam de flor em flor colhendo pólen, provando os diferentes gostos.

Até que a cabeça dela encontrou o peito dele e ficou ali.

-Sabe o que eu gosto em você? - ele perguntou.

- O quê? - ela respondeu com pergunta.

- Gosto da maneira como sua cabeça se encaixa bem no meu peito e deixa seu cheiro bem abaixo da minha respiração, pra me deixar louco e parcialmente saciado.

Ela ficou quieta.

- Gosto quando as minhas mãos seguram o seu rosto, como se ele fosse feito da mais sensível procelana que com um suspiro diferente correria o risco de trincar e perder a clareza.

Ela ficou quieta.

- Gosto da maneira como seus olhos perfuram o meu íntimo, buscando me confortar e da maneira como seu sorriso me abraça.

Silêncio.

- Gosto da maneira como minha mão cabe no vão dos seus dedos, como a sua pele se contrasta com a minha, como seu peito arfa durante a inspiração do ar, e como você me apavora quando demora demais para expirá-lo.

Ele riu. Ela, calada.

- Gosto da maneira como você me beija e como consegue mudar o conforto para o arrepio quando da carícia nos lábios passa a mordê-los. Gosto do caminho que suas mãos percorrem antes de chegarem no meu pescoço e do cheiro que a sua pele deixa como rastro.

Ela levantou a cabeça. Os cabelos castanhos claro ficaram voando com o vento, passando pelos olhos, também castanhos, acariciavam os lábios rosados, enfim, desenhavam sobre aquele rosto fino, perfeito.

Olhou-o intimamente. Sorriu, claramente. Tocou-o no rosto. Aproximou-se.

Colocou a boca úmida sobre a sedenta dele. Sugou dele toda aquela vontade.

Afastou-se. Sorriu mais uma vez e se levantou.
E foi andando pelo mato. O vestido branco esvoaçava. Ela olhou para trás e depois...

sumiu.

domingo, 16 de agosto de 2009



A infância é um estágio magnífico.

Puro, inocente, despreocupante e acima de tudo, criativo.

O mundo é um parquinho.




Às vezes, posso dizer quase que com muita frequência,

eu sinto que estou sentada num gira-gira.

E a cada instante rodando mais rápido.

Mais rápido.

Mais rápido.

Há pessoas que passam como borrões.

Há aquelas que pulam, arrisacando-se, e sentam do seu lado.

Há as que pulam e caem.

Há as que têm medo de pular.

E existe eu, que tem medo de descer.

Que pede: "Mais rápido, mais rápido!"

E ela gira.

E gira

E gira

E eu então fecho os olhos.

Eu não estou mais lá

Estou curtindo o momento

O vento

Viajando no meu pensamento

Fazendo dele realidade

Fazendo dele um caminhar longe do gira-gira.

Fazendo do sonho, os pés no chão.

Mas

De repente,

pára.

E a vida volta ao tédio da realidade incontestável.




><, eu só queria viver longe.

Mas eu cresci =/.




Cecília.


sábado, 15 de agosto de 2009


Um dos piores sentimentos que já corroeram meu interior
é o da Inutilidade.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009


Às vezes são os nossos monstros internos que nos trazem maior conforto.

sexta-feira, 17 de julho de 2009



"Os meus braços estão frios.
O buraco da tua ausência nos meus abraços, deixou - os sem rumo. Inquietos eles procuraram.
E se cansaram. E no marasmo, deixados à sua espera, eles ficaram, na mesma posição de quando teu corpo me preenchia, de quando eu sentia a vontade inquietante do seu coração de bater e, quem sabe, pular do seu peito e cair no meu.

As minhas mãos, por um longo tempo após sua saída, tatearam ao lado, acima, abaixo, no meu pescoço, pelos caminhos que você desenhou, mas não acharam as suas. Não acharam o calor do seu toque.
E elas estremeceram, junto do meu corpo.
Eu ainda posso sentir a pressão e o carinho das suas mãos. E os lugares em que esses momentos aconteceram, adormecem.

E os meus beijos.
Eles choraram junto dos meus olhos. Meus sorrisos saem, agora, perdidos. Eles não têm mais motivos para se encabularem, tampouco olhares para apreciar.
Minha boca, assim como todo o resto, só tem a lembrança, guardada, cravada com uma mordida profunda nos lábios.

Eu sinto sua falta."


texto e foto são meus. ;)

quinta-feira, 2 de julho de 2009


Então esse é o sabor da felicidade?
Quero mais ><.

segunda-feira, 22 de junho de 2009




"As muralhas caíram, e a criança indefesa está perdida, buscando alguém que a guie com o silêncio.
E quando ela clamar, quando ela chorar, gritar para que esse silêncio chegue logo, os Anjos chegarão."




E se eu passar a vida inteira esperando por eles?


Por mais que eu os sinta tão perto.


Acho que terei de esperar um vida inteira pra que eles venham me acalmar não é mesmo?




Eu fico me perguntando: O que é ser forte?

É entender todos os sentimentos e tentar ajeitá-los dentro do peito?

É tê-los guardados num baú pra aumentar o volume do pilar?

É conservá-los da própria consciência de que eles existem?

É tentar convencê-los de que não estão ali?

De que nunca existiram? De que não adianta eles gritarem, você não vai ouvir?

De que não adianta eles tentarem sair, seu corpo vai se fechar?

É tentar mostrar-lhes um motivo para partir?

Ou para ficar? Ou talvez para nem virem?


Sabe o que pra mim é ser forte?

Forte é a borboleta, que tem que comer e engordar e se enclausurar

pra depois sair delicada e suavemente voando, com uma beleza singela que faz as flores sorrirem e se abrirem toda vez que chega e viver nesse gracioso tédio até que um ser externo arranque dela a graça do liberdade do bater das pequeninas asas.

É o ato de parecer indiferente mas fazer a maior falta para um ciclo vital.

É viver.

Ela não se importa se aquela flor não sorrir, ela vai pra outra. E com a mesma graça e leveza.

Acho que mais que ser forte..



Texto e foto meus.