sexta-feira, 17 de julho de 2009



"Os meus braços estão frios.
O buraco da tua ausência nos meus abraços, deixou - os sem rumo. Inquietos eles procuraram.
E se cansaram. E no marasmo, deixados à sua espera, eles ficaram, na mesma posição de quando teu corpo me preenchia, de quando eu sentia a vontade inquietante do seu coração de bater e, quem sabe, pular do seu peito e cair no meu.

As minhas mãos, por um longo tempo após sua saída, tatearam ao lado, acima, abaixo, no meu pescoço, pelos caminhos que você desenhou, mas não acharam as suas. Não acharam o calor do seu toque.
E elas estremeceram, junto do meu corpo.
Eu ainda posso sentir a pressão e o carinho das suas mãos. E os lugares em que esses momentos aconteceram, adormecem.

E os meus beijos.
Eles choraram junto dos meus olhos. Meus sorrisos saem, agora, perdidos. Eles não têm mais motivos para se encabularem, tampouco olhares para apreciar.
Minha boca, assim como todo o resto, só tem a lembrança, guardada, cravada com uma mordida profunda nos lábios.

Eu sinto sua falta."


texto e foto são meus. ;)

quinta-feira, 2 de julho de 2009


Então esse é o sabor da felicidade?
Quero mais ><.

segunda-feira, 22 de junho de 2009




"As muralhas caíram, e a criança indefesa está perdida, buscando alguém que a guie com o silêncio.
E quando ela clamar, quando ela chorar, gritar para que esse silêncio chegue logo, os Anjos chegarão."




E se eu passar a vida inteira esperando por eles?


Por mais que eu os sinta tão perto.


Acho que terei de esperar um vida inteira pra que eles venham me acalmar não é mesmo?




Eu fico me perguntando: O que é ser forte?

É entender todos os sentimentos e tentar ajeitá-los dentro do peito?

É tê-los guardados num baú pra aumentar o volume do pilar?

É conservá-los da própria consciência de que eles existem?

É tentar convencê-los de que não estão ali?

De que nunca existiram? De que não adianta eles gritarem, você não vai ouvir?

De que não adianta eles tentarem sair, seu corpo vai se fechar?

É tentar mostrar-lhes um motivo para partir?

Ou para ficar? Ou talvez para nem virem?


Sabe o que pra mim é ser forte?

Forte é a borboleta, que tem que comer e engordar e se enclausurar

pra depois sair delicada e suavemente voando, com uma beleza singela que faz as flores sorrirem e se abrirem toda vez que chega e viver nesse gracioso tédio até que um ser externo arranque dela a graça do liberdade do bater das pequeninas asas.

É o ato de parecer indiferente mas fazer a maior falta para um ciclo vital.

É viver.

Ela não se importa se aquela flor não sorrir, ela vai pra outra. E com a mesma graça e leveza.

Acho que mais que ser forte..



Texto e foto meus.

terça-feira, 26 de maio de 2009




De todas as falhas e incertezas humanas, o fim é certo. Mas é porque não é humano. A Vida e a Morte, as Graças, nada nos compete. Com o passar do tempo, nós perdemos tudo. Todos os pronomes indefinidos se vão: alguém, alguma coisa, tudo,... Porque realmente não eram importantes. Se NOS perdêssemos, aí sim seria uma perda. Na morte, não só na física, mas na diária, nós nos perdemos. Nos perdemos na perda dos outros, nas nossas. Mas falo das perdas reais, daquelas que trazem aos olhos a água transparente da dor. É, dessas perdas, o que nos pertence são as lágrimas.


O Ser Humano é o animal mais fraco do mundo. Ele tem sentimentos. E não por tê-los que somos frágeis, mas por tentar entendê-los e saber, reconhecer que os estamos sentindo.


As muralhas caíram, e a criança indefesa está perdida, buscando alguém que a guie com o silêncio.


E quando ela clamar, quando ela chorar, gritar para que esse silêncio chegue logo, os Anjos chegarão.

terça-feira, 19 de maio de 2009


Sabe o porquê de eu escrever na calada da noite?
Justamente por isso.
Ela é calada.
É no silêncio que as palavras tomam o sentimento, não o sentido.

sábado, 2 de maio de 2009




No final das contas, eu sei, você vai se deitar ao meu lado.

Daí, teu cabelo vai poder roçar no meu rosto.

Teus lábios poderão brincar no meu pescoço.

Tuas mordidas se perderão em minhas orelhas.

E em MEUS lábios, uma marca funda, deixarão.

Tuas mãos trarão calor ao frio arrepio em minha pele.

Assim como o pôr-do-sol trás a quente sensação do conforto

No final dum dia frio de inverno.

E teu hálito quente o trará de volta.

No final, só no final.



Bem que nossa história podia começar pelo fim, não é mesmo, anjo?

E o meio seria o início do resto de nossas vidas.

E o título, um belo ponto final, a conclusão.

Só porque meu amor é assim.

Completamente atemporal e fora do normal.




Cici.


terça-feira, 28 de abril de 2009

Por que o outono?


Porque é quando o céu tenta imitar a rubrosidade da rosa.

Mas o máximo que ele consegue é o rosa da rosa rosa.

Essa cor meio de céu divino.

Calmo.

Assim, como tuas bochechas.


Porque é em seus campos que eu tenho vontade de me perder.

Jogar-me.

Invadir.

Assim, como nos teus braços.
E abraços.


Porque é no labirinto de sua temperatura, ora frio,

ora quente,

que eu me iludo.

Descuido-me.

Assim, como nos teus beijos.


Porque é na noite de outono que a lua vem sorrindo.

E sorrindo ela vai subindo.

Os morros e os obstáculos,

Ela só vai passando e levando tudo consigo.

Assim, como teu sorriso.


Porque é na negra noite de outono

que as estrelas conseguem me chamar mais ainda a atenção.

Hipnotizando-me.

Assim, como teu olhar.


Mas sabe o porquê mesmo de ser somente o Outono?


Porque é só em seus fortes e uivantes ventos

que teu cheiro avassalador vem até mim.

E me toma.

Do começo ao fim.


Cici.