sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Que nós sejamos as luzes deste Natal!



O final do ano está aí. Em menos de dez dias será véspera de natal, o que,  para nós, é Natal praticamente, pois, diferente de outras culturas, nós nos apressamos a trocar presentes na noite do dia 24, não na manhã do dia 25, mas não importa, na condição que possamos comemorar à meia-noite o nascimento daquEle que deu Seu sangue para nos salvar.
Tenho sentido que o natal deste ano será o melhor de todos e tal sentimento me fez refletir acerca de vários significados, como por exemplo:

1) na minha infância a maior diversão era sairmos à noite para poder contemplar os criativos enfeites de natal com os quais os moradores iluminavam seus lares. Hoje fui fazer o mesmo e a decepção foi grande. As casas não brilham mais como costumavam e tenho certeza de que não é porque eu cresci e isso não mais tem o mesmo "valor" para mim. Natal foi e sempre será meu feriado favorito;
2) hoje o cheiro do natal vem e vai. Antigamente, logo no final do mês de novembro ele chegava e ficava em toda a casa, nas ruas, nas pessoas. Ele inflava o nosso peito e nos levava um sorriso doce à face. Agora ele faz nossos olhos brilharem, mas tão logo se esvai como num simples piscar.
3) a família se reunia para fazer os jogos de amigo secreto, discutir a ceia e a hora de nos encontrarmos na casa da vó, montar a árvore juntos... Agora te avisam que o papel com o nome do seu amigo ficou no pote guardado, a ceia é pronta e a hora é irrelevante, na condição que você chegue pouco antes da meia-noite e dê tempo de sair depois para as baladas que acontece nos clubes e a árvore fica num cantinho da sala, sem tantos embrulhos misteriosos ao seu redor.
4) a ansiedade de ganhar aquilo que tinha pedido, ganhar, ganhar, ganhar. Presentear também, mas ganhar sempre pareceu ser mais importante, ainda mais agora.

No começo falei sobre um certo alguém que morreu por um amor imenso a nós e, após refletir sobre tudo isso finalmente descobri o porquê de que esse seria o melhor natal de todos. Acontece que, quando alguém te pergunta o que você quer ganhar de natal e você simplesmente não sabe a resposta, é porque está na hora de RETRIBUIR. DOAR é a minha palavra para este natal. A minha realização não está mais em ganhar, mas em presentear e tentar fazer com que aqueles que não podem, tenham um natal tão feliz quanto o meu, que crianças brinquem com jogos e brinquedos tão bons quanto eram os meus, que possam comer uma comida tão deliciosa quanto era a minha. E eu convido você a fazer o mesmo. Vivemos nos tempos da coletividade, está na hora que colocarmos essa palavra em prática. Vamos espalhar felicidade sem pedir nada em troca! Posso assegurar que o sentimento é maravilhosamente natalino.

Feliz Natal!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Eu permiti que a última borboleta do estômago fosse embora.


 Agora eu só preciso esperar florir novamente...
Para que outras possam vir me surpreender
com suas belezas e simplicidades.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

"- O problema é que eu esperava você aparecer, dar um sinal de vida. Eu sabia que não haveria mais os "Boa noites", nem os "Bom dias", pelo celular. Sabia, também, que o carteiro não mais me traria notícias suas. Porém, ainda assim, eu exigia - mesmo sabendo que não devia - que você me mandasse um torpedo no dia do meu aniversário, que desejasse "Uma Feliz Páscoa com muitos presentes, e um Feliz Natal, com muito chocolate", que, pelo menos, uma vez no semestre você pudesse me perguntar se eu estava bem. Eu só podia esperar. Talvez você aparecesse do nada com uma história interessante pra me contar - talvez só aparecesse. Mas acontece, e é bom. De vez em quando você sente uma pontinha saudade, lembra-se de alguma coisa... É, e eu penso: pelo menos você ainda SENTE; pelo menos você ainda se LEMBRA."
Por Cecília Láua

Outro trecho do livro que estou escrevendo. 

quinta-feira, 15 de setembro de 2011


"- Sabe, na vida você terá vários sapos e alguns príncipes. Aqueles que estão na sua vida há um bom tempo e, ao fazerem um único movimento, você os percebe, são sapos. Já aqueles que aparecem na sua vida, assim, do nada, e parece que vocês já se conhecem há uma eternidade, são príncipes. Os sapos não ficarão por muito tempo, alguns príncipes de tratarão como uma princesa, mas você se casará com O príncipe que te tratará, sempre, como a rainha que você potencialmente é." - Ana Cecília Pará Láua
Trecho do livro que estou escrevendo.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011


É mais uma daquelas crises que a gente tem em dias chuvosos, quando não se quer sair de casa, especificamente da cama. Você já terminou de ler aquele livro de jornalismo impresso e não tem mais nada a se prender, porque todos os outros trabalhos já foram adiantados. Em que pensar agora? Nas surpresas? Nas aparições? Nos sonhos?
Sonhar é difícil quando, depois de tanto tempo, você já treinou seu cérebro para não fazê-lo. Dói. Os pensamentos ficam perdidos. A gente fica perdido, sem saber qual deles devemos enraizar, sem saber em qual deles botar alguma fé.
Fé. Costumava-se crer mais. Em tudo. Nas pessoas, no mundo. Em si mesmo. Não há meio de se perde-la, ela não deixa de existir dentro de si, mas perder-se dela durante o caminho é possível. Assim como acontece com o tal do amor.
Aceitar que éramos jovens e estávamos apaixonados pela idéia do amor é dizer que, 1º, envelhecemos e, 2º, fomos idiotas o suficiente para acreditar no clichê romântico e pensar que podíamos viver de pão e água, porque tínhamos um ao outro e isso bastava.
Idiota eu não fui.. meus 18 anos, apesar de parecerem 50, apontam que não, eu não envelheci. Aliás, parecer uma cinquentona é efeito nítido da perda de crença em amores tolos. Existem, sim, histórias de pessoas que só encontram o verdadeiro amor depois de bem amadurecidas e ficam felizes para sempre. Mas as pessoas que eu conheço são as que deixaram para trás uma grande história e se adaptaram a uma paixão pertinente o suficiente para construírem um lar.
Lar. É nisso o que eu penso quando me vem você à cabeça. Casa, filhos, cães e jardim para cuidar. É isso o que eu sei que eu vou ter que sonhar sozinha daqui em diante. Construir sozinha. Com todo o amor que eu sinto por você guardado só para mim. Desejando sempre que você seja a pessoa mais feliz do mundo, que Deus abençoe sempre a sua vida, que encontre a pessoa certa para o caminho que você escolheu.
Somos como uma música velha que é pertinente a uma velha melodia tocada em um piano velho: eternos românticos cafonas abestalhados, que levam lágrimas aos olhos, sorrisos aos rostos e eternidade até a última nota ser tocada.

domingo, 31 de julho de 2011



A pior parte é quando nós temos que deixar partir. Arrancar um pedaço do peito voluntariamente. Vê-lo se afastar cada vez mais pelo vidro traseiro do carro. Foi assim da última vez em que ficamos juntos. Eu te vi sumir atrás, mas ainda estou olhando para o retrovisor. 
Eu não estou conseguindo passar por essa parte. Tirar você de dentro de mim, da minha mente, é suicídio. Um medo mortal de jamais sentir amor novamente. Então eu me apego a isso, ao amor que tínhamos, e que ainda mora aqui. 
Apego… machuca. Está mais do que na hora de eu te colocar no carro e te levar para um floresta. Para você ir viver, encontrar seu caminho; para o seu próprio bem. E eu, ao entrar no carro, não mais te procurar em qualquer reflexo. Saber que eu posso refletir o que tem de melhor em mim e em você por conta própria, sem ter a necessidade de sempre te buscar na memória.
A pior parte é quando nós temos que deixar partir.
Eu já estou dentro do carro, mas você ainda está no retrovisor. Saia, por favor. Assim eu posso ligar o motor e seguir meu caminho.

quarta-feira, 20 de julho de 2011




Foi só hoje que eu consegui perceber o que estava errado. Há tempos já não havia o mesmo eu dentro de mim, tampouco fora. A vida que se ajeita diante dos nossos olhos é o reflexo de tudo aquilo que ocorre por detrás deles. Eu me notei insatisfeita com o contexto, o texto, o enredo, mas não tinha percebido que o personagem, a palavra e a direção também estavam desfalcados. Por sorte sei que depois de toda crise vem o ressurgimento, a renovação, e o foi o que aconteceu hoje comigo.
Fui a um programa de auditório com a banda O Teatro Mágico, que, aliás, fazia tempo que não escutava, e quando o Fernando começou a tocar Realejo, ali, logo nas primeiras notas, na batida leve, eu vi, ouvi, senti você. E pude perceber as tantas coisas boas, todas as facetas que me compunham, que eu perdi, que eu deixei para trás quando decidi esquecer a ideia de um nós futuro. Não só a poesia das milhares de músicas que eu costumava inspirar, mas também toda a poesia que corria no meu corpo nunca mais conseguiu transpirar. De certo que o sofrimento humaniza e a felicidade ludibria, mas eu lutava pelo equilíbrio dos dois e me perdi na batalha. Já não sabia mais quem era adversário e por quem eu devia morrer.
Eu abandonei meus livros... Shakespeare parou de envenenar momentaneamente o meu coração, Vinicius me pareceu tão eterno quanto sua paixão, já não conseguia mais escutar as estrelas de Olavo Bilac, aliás, as únicas que falavam surdamente aos meus olhos eram as que compunham o Cruzeiro do Sul. Agarrei-me às palavras de Caio Fernando Abreu e passei a esperar somente um porre, férias e uma nova paixão, mesmo sabendo que eu não queria, não quero, viver nada disso, prefiro o refresco, o imprevisível do dia-a-dia e um amor pra vida inteira.
Eu abandonei meus papéis e minhas canetas... Verso nenhum rompeu mais a minha realidade do meu ideal. Sentimentalismo nenhum voltou a pulsar nas pautas azuis das folhas, nenhum rabisco conseguiu tirar a angústia do meu desencontro de mim mesma. Fiz desse blog um caderno esquecido no tempo, pois você está em todos as palavras dele.
Eu abandonei as girafas, as morsas, o nosso basenji. Deixei para trás o sono das baleias, Platão e as constelações. Meu último romance foi com Los Hermanos e, então, fechei as portas para toda e qualquer música boa que me fizesse lembrar de você. Por mais que elas ainda estejam no meu dedo, eu as deixei voar para longe, aquelas borboletas azuis que me davam nó na boca do estômago.
Mas fazendo isso eu me esqueci de mim. Não que eu esteja querendo recuperar um egocentrismo que eu, aliás, jamais tive, não, apenas quero o meu eu, que era seu, de volta. Eu era feliz daquele jeito, com aquele sentimento de amar a vida e sentir o pulsar vivo e complexo de cada criatura divina. Foi amando você que eu aprendi a amar o simples fato de estar viva. Burrice minha deixar isso tudo ir embora, ter deixado você ir embora. Acreditar que, ao continuar com tudo, faria-me sentir sempre que minha vida sem você é um grande nada.
Foi só hoje que eu percebi que não pode ser assim, que eu tenho que voltar a ser aquilo que eu fui de melhor, que só assim eu serei livre de toda essa massificação, toda essa coisa "comum" que eu me tornei. Que eu serei toda aquele eu, que era sua, mas só para mim. Impossível receber visita com a casa desarrumada. A partir de ontem em diante estou fechada para limpar o terreno, afofar a terra, pois creio que no tempo certo alguém mudar-se-á para o meu peito e, eu já sendo tudo o que realmente fui e sempre serei, dar-lhe-ei motivos para se enraizar.
Afinal, "Eu sinto que sei que sou um tanto bem maior" e levarei comigo o conselho: "Camarada, viva a vida mais leve Não deixe que ela escorregue Que te cause mais dor (...) Viva a tua maneira Não perca a estribeira Saiba do teu valor E amanheça brilhando mais forte Que a estrela do norte Que a noite entregou".




DE ONTEM EM DIANTE
"De ontem em diante serei o que sou no instante agora
Onde ontem, hoje e amanhã são a mesma coisa
Sem a idéia ilusória de que o dia, a noite e a madrugada
são coisas distintas
Separadas pelo canto de um galo velho
Eu apóstolo contigo que não sabes do evangelho
Do versículo e da profecia
Quem surgiu primeiro? o antes, o outrora, a noite ou o dia?
Minha vida inteira é meu dia inteiro
Meus dilúvios imaginários ainda faço no chuveiro!
Minha mochila de lanches?
É minha marmita requentada em banho Maria!
Minha mamadeira de leite em pó
É cerveja gelada na padaria
Meu banho no tanque?
É lavar carro com mangueira
E se antes, um pedaço de maçã
Hoje quero a fruta inteira
E da fruta tiro a polpa... da puta tiro a roupa
Da luta não me retiro
Me atiro do alto e que me atirem no peito
Da luta não me retiro...
Todo dia de manhã é nostalgia das besteiras que fizemos ontem."